memory effect in educational psychology
Efeito de testagem (testing effect) consiste no achado de que a memória de longo prazo é frequentemente melhorada quando o aprendiz, durante a aprendizagem, engaja parte de seu tempo na recuperação ativa da informação previamente estudada. No Brasil, esse efeito também é conhecido como efeito de teste (testing effect), efeito de prática de recuperação (retrieval practice effect) ou aprendizagem melhorada pela testagem (test-enhanced learning). Enquanto os termos anteriores são usados para se referir a um fenômeno mnemônico, os termos testagem (testing), realizar testes (taking a memory test), se engajar em prática de recuperação ou em prática de lembrar (retrieval practice) são usados para se referir aos comportamentos nos quais os aprendizes se engajam e que produzem esse fenômeno. Embora ambos os termos, efeito de testagem e efeito de prática de recuperação, sejam usados de maneira ampla e até mesmo intercambiável, alguns autores têm sugerido a ênfase nesta última expressão, uma vez que o termo efeito de testagem transmite a ideia errônea de que o efeito é decorrente de ter sido testado. Na verdade, testar a si mesmo por meio de quizzes, fazer resumo do conteúdo recém estudado sem acesso ao material original e ensaiar aquilo que aprendeu em frente ao espelho são diferentes maneiras de se engajar em prática de recuperação no dia a dia. Em todos esses exemplos, seriam esperados benefícios mnemônicos decorrentes da prática de recuperação, embora só o primeiro deles fizesse alusão explícita à testagem. Deve-se distinguir o efeito de testagem de efeitos de prática mais gerais, comumente mencionados como ameaças à validade interna em pesquisas que envolvem múltiplas aplicações de uma mesma medida aos participantes da pesquisa. Efeitos de prática podem ser entendidos, com base no Dicionário de Psicologia da APA (2007), como "qualquer mudança ou melhoria que seja resultante de prática ou de repetição de itens da tarefa ou de atividades". Enquanto psicólogos que desenvolvem baterias de testes de personalidade e de inteligência almejam evitar os efeitos de prática, psicólogos cognitivos trabalham junto a educadores para compreender como obter vantagem dos testes—não apenas como uma ferramenta de avaliação do quanto os estudantes sabem, mas como uma ferramenta de promoção de maior aprendizagem. Experimentalmente, o efeito de testagem tem sido demonstrado por meio de um procedimento de três fases. Na fase de estudo, os aprendizes são expostos a um material a ser aprendido, que pode variar em conteúdo, consistindo em listas de palavras, pares de palavras, conceitos científicos e suas definições ou mesmo textos contendo informações factuais. Posteriormente, na fase de prática, os aprendizes são adicionalmente reexpostos ao material. Em estudos entressujeitos, metade dos participantes costuma ser reexposta ao material na íntegra (grupo reestudo), enquanto a outra metade se engaja em prática de recuperação do material, em geral, por meio de algum tipo de teste criado pelo experimentador (grupo testagem). Em estudos intrassujeitos, o material é dividido em duas metades, aqui denominadas de A e B. Um conjunto de participantes reestuda a metade A e se engaja em prática de recuperação da metade B, enquanto o conjunto restante reestuda a metade B e se engaja em prática de recuperação da metade A. Por fim, após um dado intervalo de retenção, na fase de teste final, todos os participantes realizam um teste critério, que visa avaliar o quanto os participantes se recordam do material previamente estudado. Diz-se que o efeito de testagem ocorreu quando o grupo testagem se recorda de mais itens do material previamente estudado do que o grupo reestudo (em delineamentos entressujeitos), ou quando os participantes se recordam de mais itens que estudaram por meio de testagem do que de itens que estudaram por meio de testagem (em delineamentos intrassujeitos).
Abstract from DBpedia / Wikipedia · CC BY-SA
Discovered by embedding cosine similarity (sentence-transformers MiniLM, 384-dim).